Poemas inéditos de Leandro Durazzo

Lisboa

Leandro Durazzo. Foto: Livia Campos

Leandro Durazzo é tradutor e escritor. Autor da novela terra húmyda (ficção, Ed. Patuá, 2014, no prelo) e Gestação de Orfeu: profecia e transcendência na poesia de Jorge de Lima (ensaio, Ed. Multifoco, 2013). Organiza um projeto de tradução de poesia latinoamericana ao português, estrella errante :poesía traduzida de latinamérica (primeira coletânea a ser publicada pela Ed. Medita, entre 2014 e 2015). Tempoemas publicados em sites de literatura como Mallarmargens, Musa Rara Germina Literatura, além de ter sido incluído em coletâneas recentes de poesia, nas revistas Eutomia (PE) e Coyote (PR). Escreve em http://miseramesa.blogspot.com e traduz em http://transcriacao.blogspot.com. Email: leandrodurazzo@gmail.com

montanhas ecoam água
e u’a borboleta passa
voando lentamente

à frente vejo um pé de passarinhos
na árvore desnuda pelo inverno

do pé de passarinhos brotam cantos
e a borboleta voa
ao meu encontro

janela aberta
entram-me sol
frio
e manhã

o som tocando
desperta em mim
mais que o café

é novo dia

não há mais nada que surpreenda
mas veja
como a manhã, o sol e frio,
pela janela
são coisas novas

janela aberta
e dia igual

andando pelo bosque
o bosque é que eu buscava

e as árvores
o solo
os passos sobre as folhas
caídas sob as copas
os pássaros
as bolhas
subindo na lagoa
o bosque
inteiro
ao meu andar falava

andando pelo bosque
eu só andava

quem pensa que
na primavera
pássaros migram
não sabe ver aves

as aves se mate
rializam
planando do nada
do meio do ar
pra copa das árvres

e vêm ordenadas
com as asas ligeiras
voando em manadas

os pássaros são as primeiras flores
da primavera

um mar de casas se estende até o rio
e lá deságua

a dança dos pardais faz meia volta
ou gaivotas

talvez os dois

o dia é verde olhos da menina
e toda pomba ordinária
é da paz

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