Tarô poético abre os caminhos do FIP 2014

por Leonardo Vila Nova

Antiabertura do FIP 2014 contou com performance de Conrado Falbo na Praça Maciel Pinheiro, centro do Recife.

Banquinha de Tarô e Poesia , com Conrado Falbo. Foto: Otávio de Souza/Secult-PE

Banquinha de Tarô e Poesia, com Conrado Falbo. Foto: Otávio de Souza/Secult-PE

O Diabo e A Imperatriz. Uma combinação de cartas de tarô que, dependendo da pergunta que se faz ao oráculo, pode resultar em um sem fim de interpretações. Percepções que nos lançam em universos interiores, em nosso mistério particular. Quando esse mistério se insinua minimamente ao nosso alcance, a curiosidade é inevitável. E o que acontece quando uma banca de tarô se instala em plena Praça Maciel Pinheiro, no centro do Recife? Nela, um jovem moço, de branco, ouve perguntas e lança de volta questões a partir do que vê (e lê) nas cartas.

Sob o tema “A Poesia e O Sagrado”, foi assim que começou o III Festival Internacional de Poesia (FIP 2014). A performance do artista Conrado Falbo foi a antiabertura do festival, que, até o próximo domingo (25), irá se debruçar sobre as relações entre o universo poético e o espiritual.

Erroneamente, “prever o futuro” era o que podia se esperar do artista, em sua banquinha de “tarô poético”. “A intenção das cartas não é essa, e sim fornecer interpretações do seu estado presente que podem ser projetadas no futuro, dependendo de como você lida com essas questões“, avisou o performer.

Foto: Otávio de Souza/Secult-PE

Foto: Otávio de Souza/Secult-PE

Os curiosos, timidamente, se juntavam e tentavam se organizar em fila, esperando sua vez, discretos em suas intenções e perguntas, mas bastante interessados em voltar com respostas. Na verdade, as cartas de tarô – assim como a poesia – não oferecem respostas prontas. Elas, na verdade, ampliam as possibilidades de conhecimento a respeito de si mesmo e do terreno que nos cerca, para, dispondo de livre arbítrio e discernimento suficiente, irmos delineando nosso caminho, nosso destino.

Questões profissionais, amorosas, ou até mesmo “uma bolada que eu tô pra receber”, como se ouviu, à boca miúda. Foram inúmeras as perguntas feitas aos arcanos do tarô. Conrado, o intermediário, recebeu, uma a uma, cada pessoa, orientando-a para que retirasse duas cartas e as desvirasse. E, assim, dava início à interpretação.

Também poeta, ele faz da palavra – mansa, cadenciada, porém certeira – o elo entre o que está disposto nas cartas e a pergunta feita. “Nós temos o universo das cartas, dos arcanos do tarô, que está aberto à interpretação imagética. E a poesia, a palavra, é o que conduz essas interpretações para uma melhor compreensão da pessoa. Mas a poesia também é algo aberto a interpretações. Cada um, com seu livre arbítrio, deve saber conduzir seu caminho“, explica. Após a leitura das cartas, ele oferece uma poesia. E aí está a magia! Quando a pessoa escolhe um dos dois arcanos para ser a inspiração poética de Falbo, ele a presenteia com versos que vão fundo no que lhe (nos) diz o tarô.

Para 22 cartas, ele escreveu 22 haikais, cada um associado a um arcano. Um pequeno poema que resume a interpretação geral da carta escolhida. Ainda que não percebam, as pessoas voltam pra casa com uma lembrança do momento, um pedacinho de afetividade, apesar das possíveis interpretações mais “duras” das cartas.

Foto: otávio de Souza/Secult-PE

Foto: Otávio de Souza/Secult-PE

Uma antiabertura, uma performance. Muito além disso, o “start” para um diálogo entre as pessoas e o seu universo interior, onde habitam o espírito, o intelecto, as emoções e as sensações mais ternas. Abrir caminhos para as mais elevadas e profundas conexões. No mundo da palavra, as possibilidades de se trazer à tona esse universo tão amplo são infindas.

É hora de celebrar a poesia e o sagrado, deixar o ser interior se manifestar através da fruição poética. Tudo em volta é poesia. Degustemo-la com a alma!

Confira AQUI a programação completa do FIP 2014.

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