A poesia vai permanecer

Por Tiago Montenegro

Não deixa de ser um alento para qualquer cidade, de qualquer país, a existência de um festival de poesia. Se para o poeta é uma oportunidade de derramar seus versos a um público certamente interessado, para o público, fica o aprendizado de que sempre é possível parar um pouco, ouvir o outro, compreender processos criativos daqueles que, por vocação, enchem de beleza o mundo.

No Recife, a abertura oficial do 3º Festival Internacional de Poesia aconteceu ontem, 22 de maio. A Torre Malakoff, atual território de Leminski e da exposição mais completa sobre sua vida e obra, acolheu como a uma filha a poesia universal. Acolheu Jacques Demarcq.

O francês Jacques Demarcq participa, plea primeira vez, do festival.  Foto: Otávio de Souza

O francês Jacques Demarcq participa, pela primeira vez, do festival. Foto: Otávio de Souza

Símbolo de uma geração de poetas/testemunhas de importantes mudanças históricas do século XX, o francês, que já exerceu profissões de jornalista, ator, crítico de arte e professor de design, veio ao Recife dialogar sobre uma de suas facetas não menos impressionantes: a de tradutor. A conversa “Para traduzir o sagrado”, mediada por Artur de Ataíde, contou com a também necessária participação do poeta, editor e crítico literário Everardo Norões.

Conversa "Para traduzir o sagrado" contou também com a presença de Everardo Norões. Foto: Otávio de Souza

Conversa “Para traduzir o sagrado” foi mediada por Artur de Ataíde e contou também com a presença de Everardo Norões. Foto: Otávio de Souza

Na busca por uma resposta ao questionamento Por que traduzir poesia?, os dois dialogaram sobre a ampliação da vivência literária que uma boa tradução permite. Também sobre o que Jacques definiu como “Consciência Oral”, ao afirmar que “o poeta precisa saber até que ponto pode se perder no labirinto do fazer poético. Ter ciência do ritmo e do movimento, ter consciência da oralidade é importante, sem ela o poema não fica em pé”.

Outros assuntos também surgiram, como a pertinente dúvida entre “tradução ou transcriação” e a existência de autores que não possuem o “núcleo da universalidade”, como definiu Everardo ao falar de “poetas que podem fazer grandes poemas em suas línguas e essa força não se repetir nas traduções”.

Roda de Poesias
Pelo microfone da primeira roda poética do FIP 2014, passaram o paulista Leandro Durrazo e o carioca Douglas Guedes. Seus versos revelam diversas conexões entre os universos da poesia e do sagrado, tema desta edição do festival e fio condutor de toda a programação. Inclusive de uma conversa marcada para hoje, com participação de ambos, sobre “Popol Vugh e Jurupari: poesia ameríndia e o sagrado”, às 20h.

Primeira noite de recitais e diálogos na Torre Malakoff. Foto: Otávio de Souza

Primeira noite de recitais e diálogos na Torre Malakoff. Foto: Otávio de Souza

A roda de poesias foi também um momento para ouvir Sérgio Medeiros, do Mato Grosso do Sul, e Cláudio Willer, de São Paulo. Cláudio inaugurou sua participação saudando a realização do FIP: “O Brasil precisa de festivais como este, pois há grandes eventos literários focados apenas no mercado editorial e não na poesia, que é o que permanece”, comemorou o poeta. Hoje, às 16h30, ele e josé juva vão conversar com Bruno Piffardini sobre “Poesia, xamanismo e transe”.

Matilde Campilho recita poemas de seu primeiro livro no FIO. Foto: Otávio de Souza

Matilde Campilho recita poemas de seu primeiro livro no FIP. Foto: Otávio de Souza

De Portugal, Matilde Campilho subiu ao tablado do FIP para recitar alguns poemas que estão em “Jóquei”, primeiro livro da poeta. Ela e Leandro Durazzo vão participar ainda de uma conversa com Hugo Viana, amanhã (24), intitulada “Para reinaugurar o sagrado”, a partir das 20h30, também na Torre Malakoff. Fechando a roda, o sergipano Allan Jones experimentou – com sucesso – um pedal para modular, em alguns momentos, sua voz.

Música e microfone aberto para a poesia
Encerrando as atrações na Torre Malakoff, aconteceu o show “Uma alucinação na ponta de teus olhos”, que marcou a estreia do grupo P.I.Va – Poesia Incendiária Valvulada. Uma homenagem, uma transcriação musical, com direito a performances e projeção de imagens, da poesia xamânica de Roberto Piva. O grupo é formado pelo poeta josé juva e os músicos Muta, Leo Vila Nova, Tiago West, Rama Om e Glauco César II.

Projeto P.I.Va encerrou as atividades na Torre Malakoff. Foto: Otávio de Souza

Projeto P.I.Va encerrou as atividades na Torre Malakoff. Foto: Otávio de Souza

A poesia seguiu “Até umas Horas” na Praça do Arsenal, mais precisamente no Espaço Cultural Teatro Mamulengo. Integrando a programação do FIP, Allan Sales, Clécio Rimas e quem mais topou recitar no microfone aberto realizaram uma edição especial do projeto Quintas de Música com Poesia.

A programação do FIP 2014 segue até domingo, 25/5.
Participe!

Mais fotos em www.flickr.com/fundarpe

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Um Comentário

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