A simplicidade grandiosa do sagrado

por Leonardo Vila Nova

Quando se fala o termo “sagrado”, algumas vezes pode nos soar como algo distante, pertencente a tempos e civilizações longínquas, ou que seja inalcançável. Talvez, em tempos de megalópoles, de “progresso” desenfreado, de velocidade e caos, atingir o sagrado seja algo, de fato, quase que inacessível. No entanto, é preciso reparar o tanto que ainda existe da manifestação do cosmos à nossa volta. É preciso estar de olhos, mente, alma e coração atentos aos sinais que nos circundam. É preciso aprender nisso tudo o sagrado, reintegrar-se a ele. Na mesa “Para reinaugurar o sagrado”,  que aconteceu neste último sábado (24), Hugo Viana conversou um pouco com os poetas Leandro Durazzo (SP) e Matilde Campilho (Portugal).

debate

Leandro Durazzo é budista e a prática humanista é algo comum, como beber água, respirar. Para ele, o termo “reinaugurar o sagrado”, antes de mais nada, é “mais do que remeter-se a algo que já passou. É, sim, atualizar o seu potencial sagrado”, que usou como exemplo o sentido de uma narrativa/poema sobre uma árvore (em algumas crenças, símbolo que liga a terra ao céu), que, segundo Durazzo,  a cada leitura, do poema, esse poder cósmico estará sendo atualizado, reinaugurado. E isso se dá com qualquer potencialidade de existência na natureza.

Para a portuguesa Matilde Campilho, a relação com o sagrado perpassa as coisas mais simples do nosso cotidiano.  “O sagrado é uma relação muito íntima, uma conversa com o nosso interior”, diz ela, ao explicar que é nossa percepção do mundo ao nosso redor, em consonância com nosso repertório pessoal, que cria essa magia. O seu livro de estreia, “Jóquei (Tinta-da-China)”, há um pouco disso. Entre anjos, deus, santos e demônios, ela traz para os relatos mais simples, imagens delicadas que trazem uma profundidade tamanha de sentidos e interpretações.

Há, a cada segundo de nossa passagem pela terra, milésimos de acontecimentos imperceptíveis a “olho” nu, mas que traduzem o fantástico milagre da vida. Eis aí o sagrado.

 

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